terça-feira, 29 de junho de 2010

Start Spreading the News

O Gourmet Incidental esteve recentemente em Nova Iorque, saboreando algumas especialidades da metrópole. Dentre os provados e visitados, pastrami, steakhouse, hambúrguer, frutos do mar e uma improvável visita ao Momofuku Ma Pêche, do chef David Chang. Para começar, a América em três cafés-da-manhã:

Sanduíche de ovos com linguiça.

Panquecas com linguiça, acompanhadas do syrup, que não saiu na foto.

Eggs Benedicte w/ Ham, do Pigalle (http://www.pigallenyc.com/), que, apesar do breakfast tipacamente americano é na verdade um restaurante francês. Os ovos podiam estar um pouco menos cozidos, não estavam moles no ponto certo, mas o molho de queijo era suave e muito bom.

Em busca da "culinária americana", ainda foram consumidos bagels normais, poppy baggels, com as sementes de papoula (será que ANVISA parou de criar caso para a importação de sementes de papoula estéreis, ou ainda está com medo que as mamas judaicas ao invés de fazer bagels comecem a plantar ópio enlouquecidamente?) com cream cheese, com salmão defumado da Nova Escócia, e litros de café fraco!

Sem foto, mas ainda digno de nota, os ovos poché sobre salmão defumado e english muffin do Brasserie Athenée (http://www.brasserieatenhee.com/), estes sim com os ovos perfeitamente moles.

Com esses cafés-da-manhã, só resta andar, andar muito, para se poder ter fome no almoço!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Le Relais de l'Entrecôte

Em Paris, o Gourmet Incidental foi conferir a receita original de uma das novas modas gastronômicas paulistanas, as casas de entrecôte, restaurantes de um prato só. A fórmula chegou a São Paulo em 2009 e a cidade já conta com duas casa do gênero, o l'Entrecôte de ma Tante, do Olivier Anquier, e o L'Entrecôte de Paris, ambas no Itaim.

O Le Relais de L'Entrecôte possui três unidades em Paris, além de uma em Genebra, e a unidade visitada foi a situada na Rue Marbeuf, próxima à Avenue des Champs-Elysées e ao Arco do Triunfo.


Ao que parece um regra, o lugar está sempre lotado, e encaramos uma espera de quase uma hora para chegarmos à mesa.


Para começar, a cesta de pães da casa e a salada, um misto de alface americana e frisée, com nozes e um delicioso molho à base de mostarda (para dizer a verdade pairou uma dúvida, houve quem dissesse que o molho sabia a raiz-forte).




Provou-se o vinho da casa, Cuvée Relais de L'Entrecôte, proveniente das "Côtes du Tarn", nada digno de nota.


Após o vinho da casa, para acompanhar o prato principal, provou-se outro vinho da vinicola ligada à casa, o Réserve Eliézer 2007, da Vinicola Château de Saurs. Um assemblage de Merlot, Braucol, Syrah e Duras(http://www.chateau-de-saurs.com/fr/vins/reserve-eliezer), bom vinho, não espetacular, mas bem superior, por óbvio, ao vinho da casa.

O prato da casa constitui-se de dois serviços do entrecôte num ponto ótimo, malpassado, acompanhado de batatas fritas. O molho da carne, como se sabe, é a sigilosa atração do prato, e nós efetivamente não conseguimos desvendar a fórmula do ótimo molho.



As sobremesas do restaurante são muito boas e acabam trazendo a dúvida que a escolha do prato principal não traz. As degustadas (e lembradas!) foram:

Sorvetes de maracujá, framboesa e coco, um disco de chocolate e groselhas.



Bolo de pistache.



Profiteroles de chocolate.


Para finalizar, um platêau de fromage com os seguintes queijos: Pont-l'Évêque (queijo de origem controlada, confira aqui: http://www.pont-leveque-aoc.org/), Roquefort, Tomme de Brebis, de cabra, e Camembert.




Boa refeição, e vale também pela lenda.

Le Relais de l'Entrecôte
15,rue Marbeuf
(tel) +33 1 49 52 07 17
http://www.relaisentrecote.fr/index.html

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ilia

Finalizando o breve tour por Milão, o Gourmet Incidental foi conhecer o Ilia, localizado perto da Porta Venezia. Ótima comida milanesa.




Como Antipasti foram-nos servidos bolinhos de batatas fritos, batatas chips, pães e torradas.





Passando às entradas, foram provados o Carpaccio, bem executado porém em nada surpreendente, e o Crostini di Fegatini di Pollo Caldo alla Toscana, maravilhosas torradas de pão italiano com fígado de galinha.




Para acompanhar as entradas, um Fattoria Dei Barbi (http://www.fattoriadeibarbi.it/), Morellino di Scansano DOCG, 2007, 14º.



Passando aos principais, provou-se o melhor prato da noite, a Polenta all'Aga Khan, que se encontra no menu entre as especialidades da casa. É uma grande fatia de polenta, mais rígida, coberta por lâminas de cogumelo porcini, um ovo frito, com a gema mole, e finalizada com lâminas de trufa. Espetacular.



Além disso, como primo piatti, Pappardelle Fresche con Fungi Porcini.



Como secondo piatti, Polpettine della Casa con Funghi Porcini e Polenta e uma fantástica Bisteca Fiorentina.



Em relação à Fiorentina, ela é feita numa grelha e finalizada com algo que pareceu ser vinho branco e alguma erva. A carne tinha uma textura ótima, porém a vergonhosa foto não fará jus ao sabor, ao tamanho, nem aos modos à mesa.



Acompanhando os pratos principais, um Vino Nobile de Montepulciano, o Tenuta Lodola Nuova 2005, da Ruffino (http://www.ruffino.it/pagine/pagina.aspx?ID=P2005013&L=IT), bom, mas não ótimo.



Nas sobremesas, das quatro pedidas uma revelou-se especialmente interessante. Além das Frutas do Bosque, Tartufo e Zabaione, o sorvete de pistache com peperoncino é muito bom, especialmente para paladares não tão chegados a melados; o leve picante do peperoncino faz um bom contraponto à untuosidade do pistache.






Alfim, Grapa.



Recomendadíssimo.

Ilia
http://www.ristorante-ilia.it/italiano/home.html
Via Lecco, 1, Milano
(+39) 02.29521895

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Osteria dell'Oca Giuliva

A Osteria dell'Oca Giuliva é uma simpaticíssima osteria de Milão situada perto da Porta Romana. Lugar simples, mas com uma comida fantástica.



Para começar, o simpático garçom que atendia pelo hipocorístico de Pino nos trouxe, como cortesia, um salame lombardo.



Antepasto, pão e, além do prosciutto, não havia como escapar da burrata di Adria, uma mozzarela de búfala que quando partida revela sua cremosidade excepcional. A burrata foi acompanhada, ainda, de pequenos nós de mozzarela di búfala.



Acompanhando muito bem o antepasto, um Rosso de Montaltino, da Vinícola Barbi (http://www.fattoriadeibarbi.it/).



Na hora da escolha dos pratos, há de se reconhecer, houve uma breve hesitação dos comensais, causada certamente por uma leve ausência de fome. Em dias de maratona gastronômica acontece de o paladar ficar meio indeciso na hora crucial da escolha, mesmo após o estudo atento do cardápio (e isso ocorreu mesmo após a constatação de haver, dentre as opções, um gnocchi de castanha que ainda tem povoado nossos sonhos desejosos).

E aí é que se faz necessária uma digressão acerca da psique do garçom italiano. Ante as diversas opções do cardápio, foi pedida uma sugestão ao simpático Pino. A partir daí, arrisco dizer que o livre arbítrio gastronômico reduziu-se quase totalmente. Pino nos informou que os peixes estavam ótimos, causando uma pequena celeuma na mesa. Peixe? Carne? Massa? Risotto? E o gnochhi de castanha?

Mas o destino já estava selado. A psique do garçom italiano ainda merece um estudo mais detido, mas diga-se que, quando ele escolhe o que você irá comer, pouca margem de manobra resta, e a recusa pode parecer uma ofensa pessoal. Ressalte-se que a tertúlia foi regada por uma garrafa de Barbera D'Alba 2007, da vinícola Damilano (http://www.cantinedamilano.it/sito.asp?vLang=2eng), ótimo.



Talvez cansado da discussão, eis que Pino nos informa, num italiano alto e claro: "Deixem comigo".

Abreviando a história, o breve momento de tensão logo se dissipou. Como?

Camarões, mezzancoles (um tipo de crustáceo), salmão, pescatrice e peixe espada, todos grelhados à perfeição.



Para acompanhar, camarão, lula e filetes de abobrinha empanados (à milanesa?) numa fritura seca com textura excepcional.



Mudando os rumos dos vinhos e acatando nova sugestão do Pino, para acompanhar os do mar, um branco, Verbesco Monferrato, DOC, da Vinícola Marchesi di Barolo (http://www.marchesibarolo.com/pagine/eng/dettaglio_vini.lasso?cod=033), levemente frizante ("frizantino"). Apesar da origem em solo sagrado (Barolo!), bom vinho, mas não espetacular.



Sobremesa, uma deliciosa Pannacota, sem qualquer cobertura.



Por fim, após o spresso, rodadas de Limoncello da casa.



Grazie, Pino!

Osteria dell'Oca Giuliva
Viale Bligny, 29
20136 Milano (MI)
Telefone: 02 58312871

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Bagutta

O Bagutta é um muito simpático restaurante localizado no centro de Milão, com uma história curiosíssima. Além de ser uma tratorria, o restaurante concede, desde 1927 (com um intervalo entre 1937 e 1947) um prêmio literário.



Livros, pinturas, fotografias, recortes de jornal e notícias sobre o prêmio, tudo evoca esse viés literário da casa.



A comida é boa, mas não espetacular, e a refeição teve alguns pontos altos, como o ravioli alla bolognese e outros nem tanto, como no caso do spaghetti ai gamberi e rucola.



Como entradas, foram provados o prato de salumi misto, como salame, salame com erva-doce, prosciutto, bresaeola e, como se pode ver na parte de cima da fotografia, o delicioso lardo (o embutido branco), untuoso e com uma textura muito suave.



O lardo é feito com a gordura do dorso do porco, que é massageada com sal, ervas e especiarias, e sofre um processo de cura que leva alguns meses. As ervas e especiarias podem variar de acordo com a região no qual é produzido. Conforme consta da obra "Salumi - Ingrediente & Ricette della Cucina Italiana", Editora Mondadori, 2002, de seus dois principais tipos, o Lardo di Colonnata, da Toscana, é aromatizado com sálvia e alecrim, ao passo que o Lardo di Arnad, de Val d'Aosta, é aromatizado com louro. Enfim, merece essa digressão, pois é delicioso.

Para acompanhar as entradas, provou-se o Inferno Valtellina Superiore 2005, da Vinícola Nino Negri,um corte 90% nebbiolo e 10% de "castas locais" não identificadas (http://www.ninonegri.it/italiano/index.htm). Um pouco decepcionante, suave demais.

Ainda entre as entradas, o carpaccio de atum estava muito bom, o atum vinha levemente selado por fora, acompanhado de azeite e ervas e ladeado de um suave creme de mostarda.



Por fim, a flor de abobrinha frita estava ótima, saborosa, a fritura seca, salgada no ponto certo.



Para acompanhar os pratos principais, tomou-se um Dolcetto D'Alba Castello di Neive 2007, da vinícola Basarin (http://www.castellodineive.it/index.php?option=com_content&task=view&id=118&Itemid=91). Mais estruturado, um bom vinho.



O Spaghetti ai Gamberi i Rucola revelou-se um pouco insosso. Nele sem se amalgamaram o camarão e a rúcola, nem a soma do frescor dos dois ficou evidente.



O Rigatoni, ervilha, crema, ragu, elaborado com molho branco e ragu, e o raviolli alla bolognese, com um ótimo ragu e um recheio saboroso, revelaram-se os melhores pratos da refeição.





O lugar é agradabilíssimo e vale a visita.

Via Bagutta 14
20121 Milano
Zona Centro ( P.zza S.Babila)
02/76002767 fax 0245471401
+39 3929198934
http://www.acena.it/bagutta/
http://www.bagutta.it/index.html