segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Bagutta

O Bagutta é um muito simpático restaurante localizado no centro de Milão, com uma história curiosíssima. Além de ser uma tratorria, o restaurante concede, desde 1927 (com um intervalo entre 1937 e 1947) um prêmio literário.



Livros, pinturas, fotografias, recortes de jornal e notícias sobre o prêmio, tudo evoca esse viés literário da casa.



A comida é boa, mas não espetacular, e a refeição teve alguns pontos altos, como o ravioli alla bolognese e outros nem tanto, como no caso do spaghetti ai gamberi e rucola.



Como entradas, foram provados o prato de salumi misto, como salame, salame com erva-doce, prosciutto, bresaeola e, como se pode ver na parte de cima da fotografia, o delicioso lardo (o embutido branco), untuoso e com uma textura muito suave.



O lardo é feito com a gordura do dorso do porco, que é massageada com sal, ervas e especiarias, e sofre um processo de cura que leva alguns meses. As ervas e especiarias podem variar de acordo com a região no qual é produzido. Conforme consta da obra "Salumi - Ingrediente & Ricette della Cucina Italiana", Editora Mondadori, 2002, de seus dois principais tipos, o Lardo di Colonnata, da Toscana, é aromatizado com sálvia e alecrim, ao passo que o Lardo di Arnad, de Val d'Aosta, é aromatizado com louro. Enfim, merece essa digressão, pois é delicioso.

Para acompanhar as entradas, provou-se o Inferno Valtellina Superiore 2005, da Vinícola Nino Negri,um corte 90% nebbiolo e 10% de "castas locais" não identificadas (http://www.ninonegri.it/italiano/index.htm). Um pouco decepcionante, suave demais.

Ainda entre as entradas, o carpaccio de atum estava muito bom, o atum vinha levemente selado por fora, acompanhado de azeite e ervas e ladeado de um suave creme de mostarda.



Por fim, a flor de abobrinha frita estava ótima, saborosa, a fritura seca, salgada no ponto certo.



Para acompanhar os pratos principais, tomou-se um Dolcetto D'Alba Castello di Neive 2007, da vinícola Basarin (http://www.castellodineive.it/index.php?option=com_content&task=view&id=118&Itemid=91). Mais estruturado, um bom vinho.



O Spaghetti ai Gamberi i Rucola revelou-se um pouco insosso. Nele sem se amalgamaram o camarão e a rúcola, nem a soma do frescor dos dois ficou evidente.



O Rigatoni, ervilha, crema, ragu, elaborado com molho branco e ragu, e o raviolli alla bolognese, com um ótimo ragu e um recheio saboroso, revelaram-se os melhores pratos da refeição.





O lugar é agradabilíssimo e vale a visita.

Via Bagutta 14
20121 Milano
Zona Centro ( P.zza S.Babila)
02/76002767 fax 0245471401
+39 3929198934
http://www.acena.it/bagutta/
http://www.bagutta.it/index.html

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Prima Fila

O Prima Fila fica em Milão, próximo à Duomo e à Galeria Vitorio Emanuelle. Além da localização privilegiada, o atendimento atencioso e comida muito bem feita fazem a visita valer muito a pena.





Para iniciar os trabalhos e a primeira refeição em solo milanês,um Rosso da Toscana 2006, Vila Antinori. Equilibrado, mas não especial.



Antipasti, Gran misto di Salumi Toscani al Coltello, pão e Prosciutto Toscano al Coltello. Como já é lugar comum ressaltar, os embutidos europeus em são muito melhores
do que os produzidos no Brasil e os antipasti estavam ótimos.







Primo piatto, o Tagliolini al Pesto estava bom, correto mas não surpreendente.



O também clássico Risoto alla Milanese estava no ponto certo, al dente, num equilíbrio espetacular entre manteiga, queijo e o açafrão.



Para acompanhar o secondo piatto, um Chianti, Peppoli, Chianti Classico 2007. Potente à altura das carnes.



Secondo piatto, a clássica Costoleta alla Milanese, de vitelo, acompanhada de batatas e uma pequena salada de brotos, estava ótima, a fritura perfeita.



O Nodino d'Agnello grelhado, corte de cordeiro com osso, com o mesmo acompanhamento da Costoleta, revelou-se um dos melhores pratos da noite, no ponto perfeito, malpassado, e com uma textura incrível.



No curso da refeição, o simpático garçom trouxe um prato com uma focaccia recém saída do forno. Sem queijo ou outro recheio, somente uma massa bem leve.



Sobremesas, tartufo, o sorvete, regular, e um ótimo tiramisu.





Acompanhando o espresso, Cantucci, saborosos biscoitos de amêndoa que casam muito bem com café.



Para finalizar, o digestivo, uma dose de Limoncello.



Ótima refeição.

http://www.ristoranteprimafila.it/

domingo, 4 de outubro de 2009

Rápidas

1) O Aizomê está cada vez melhor. Exemplo: robalo grelhado com molho de limão, manteiga e alho, um rodela de lagosta e ovas de massagô. Outro exemplo: bolinho de arroz recheado de baiacu e creme de wasabi.

2) Muito bom o La Mar. O ceviche clássico e o nikei estavam sensacionais, o tiradito nem tanto e o arroz com frutos do mar é fantástico (menção honrosa à vieira, com ovas, na casca).

3) O Gourmet Incidental foi tomar um café na Suplicy Cafés da Renato Paes de Barros. O café estava sensacional, mas a empanada de palmito foi requentada por quase um minuto nessa máquina terrível chamada forno de microondas. Imaginem o resultado.

4) Depois de ler algumas reportagens na mídia, fomos provar as tortas do Pie in The Sky. Selecionadas para viagem, Steak & Stout(Carne cozida em cerveja preta e alho-porró), Steak & Kidney (Carne cozida e rim) e Chicken & Cheese Peito de frango, Brie e tomilho). Bastante boas, valem a pena ser provadas. A simplicidade e certa pungência de uma torta de rim propiciam uma ótima experiência gastronômica.

Este blog fará um breve recesso e voltará no final de outubro, com muitas novidades.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

La Rosa Nautica

Dando continuidade ao nosso especial sobre a culinária peruana, mais uma reportagem de nossa enviada especial à Lima:

O Restaurante

O La Rosa Náutica é um bonito restaurante turístico, especializado em frutos do mar, que fica sobre o Oceano Pacífico.

Entradas

Lagostin envolto em espinafre, coberto com gergelim e servido com um delicioso molho oriental.



Mariscos à Rockfeller (mariscos cobertos com creme de espinafre, bacon, vinho branco e queijo parmesão gratinado, servido na concha)



Pratos Principais

Comemos os tradicionais “arroces”, os risotos peruanos.

Arroz com mariscos, picante, temperado com diferentes tipos de ajíes.



Arroz com mariscos, temperado com creme de azeitonas pretas de Arequipa.



Sobremesa

No quesito sobremesa, a carta decepcionava um pouco. A única sobremesa que fugia das sobremesas padrão “cozinha internacional” eram os “sorbetes peruanos”. Quando perguntamos ao garçon do que eram feitos tais “sorbetes”, ele respondeu: “maracuya” ou, para vocês que não conhecem, “passion fruit”. Ficamos com o tradicional suflê de chocolates!



Espigón 4 Circuito de Playas
Lima 18 - Perú
Teléfonos: (511) 445-0149
(511) 447-0057
(511) 447-5450
http://www.larosanautica.com

domingo, 6 de setembro de 2009

Astrid & Gastón

Aproveitando o ensejo da "invasão" peruana em São Paulo, O Gourmet Incidental desvenda o que se come no Astrid & Gastón, principal restaurante do Chef Gastón Acurio, incensado como o maior embaixador da moderna culinária peruana.
Da nossa enviada especial a Lima:

O Astrid y Gastón é o restaurante de alta gastronomia que o chef Gastón Acurio, dono do La Mar, mantém com a sua esposa, Astrid. É um restaurante que tem uma proposta parecida com a do D.O.M.: comida feita com técnicas francesas e ingredientes regionais.

Fomos de menu desgustação, uma sequência de 3 entradas, 4 pratos quentes e 3 sobremesas. Para beber, fomos de pisco com frutas.



Pisco de Aguaymanto (fruto da Amazônia peruana)



Pisco de Uva


Tiradito


Ceviche


Centolla Peruana


Polvo com temperos andinos



Capelletti de cordeiro sobre cama de purê de mandioquinha



P
eixe com molho oriental e arroz “Aeropuerto Clandestino” (mexidinho)




Carne em redução de chicha morada (bebida tradicionalíssima, feita de milho vermelho)



Sobremesas – Arroz doce, sorvete de creme com bolinho de chocolate e sorvete de lúcuma (fruta típica peruana)



Astrid & Gastón
Calle cantuarias 175,
Miraflores, Lima, Perú
+(511) 242 5387
+(511) 242 4422
http://www.astridygaston.com

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Pomodori: Primeiras Impressões

Esta resenha é breve, mas a visita ao Pomodori não poderia deixar de ser relatada. O Pomodori, do chef Jefferson Rueda, há tempos figura nos guias como um dos melhores restaurantes italianos de São Paulo.
Ambiente sóbrio, elegante, serviço bastante atencioso.
O antepasto, composto por pão italiano, torradas, fatias de uma boa mortadela e uma mistura de beringela, abobrinha, tomate e cebola roxa, com um leve sabor tostado, de grelhado, estava ótimo.
Pedimos ao garçom um Montes Alpha Cabernet Sauvignon, em meia garrafa. A sommelière, muito atenciosa, nos informou que havia acabado o Montes Alpha Cabernet Sauvignon em meia garrafa mas que ela abriria uma garrafa de 750 ml e decantaria meia garrafa para nós.
Apesar das atrativas opções do almoço executivo, a escolha foi um risoto de cogumelo porcini, acompanhado de vitela à milanesa.
O ponto do risoto estava perfeito. Saborosíssimo, cozido num caldo ótimo, adornado com uma mini cenoura, uma vagem e salsinha crespa. As ervas usadas no risoto estavam fresquíssimas e compunham muito bem com o prato, digno de nota.
A vitela estava sensacional, um único porém, talvez a milanesa pudesse estar um pouco mais seca, nada que chegasse perto de comprometer o prato.
Outro detalhe interessante, o café expresso bem tirado, muito bom, finalizou a refeição perfeitamente.
Primeiras impressões porque, tendo em vista o cardápio, outra visita em breve e com mais vagar certamente será feita.

Pomodori
Avenida Dr. Renato Paes de Barros, n. 524
Itam-bibi.
Tel: (11) 3168-3123
http://www.pomodori.com.br/

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Escargots à Provençal

Ingredientes: uma lata de escargots de 400g, três dentes de alho, 25g de manteiga, alguns aspargos frescos, alguns cogumelos eringui, azeite de oliva, pimenta do reino preta moída na hora, vinho branco seco (maios menos 500 ml) e salsinha, ponta de aspargos frescos. Para decorar (e comer, só usamos decorações para comer), flores, amor perfeito e nastúrcia.
Derreta a manteiga em fogo médio, acrescente um pouco de azeite. Acrescente os 3 dentes de alho picados, mexa bem, frite por alguns segundos, sem deixar dourar, somente até o alho liberar o aroma. Acrescente os escargots e os cogumelos, salteie e acrescente o vinho branco. Deixe ferver por cinco minutos. Nos dois últimos minutos acrescente os aspargos. Corrija o sal (os escargots enlatados são conservados em líquido salgado), acrescente a pimenta do reino. Desligue, coloque a salsinha picada grosseiramente, mexa bem, monte o prato e sirva.



terça-feira, 4 de agosto de 2009

Gastronomia Peruana

Em homenagem à independência do Peru, comemorada no dia 28/07, e aproveitando a chegada da cozinha peruana/andina à São Paulo, com pelo menos três novos restaurantes, em breve O Gourmet Incidental publicará uma reportagem especial da nossa enviada especial ao Peru, incluindo uma passagem pelo famoso Astrid & Gastón.

Tilápia assada com cebola e segurelha, quiabos tostados e espaguete de pupunha com champignon


Tilápia assada (marinada no limão siciliano, vinho branco, pimenta do reino, aji amarillo) com cebola e segurelha, quiabos tostados e espaguete de pupunha com champignon.

domingo, 3 de maio de 2009

Kinoshita

Reportagem especial do mês de abril do blog, a tão aguardada visita ao novo Kinoshita, na Vila Nova Conceição. Este blog já havia ido algumas vezes ao Kinoshita quando ele ainda ficava na Liberdade, na Rua da Glória, e naquela época já o tínhamos, assim como muitos, como um dos melhores - e de preço mais salgado, acresça-se - restaurantes japoneses de São Paulo.
A ambientação tradicional, as "palestras" do Murakami, a atenção dada aos ingredientes orgânicos, o frescor dos ingredientes, o malabarismo para a entrega do temaki, que deve ser comido logo pois, como alegava o Murakami, a alga dele era a mais crocante da vizinhança.
Assim, tamanha foi a decepção num dia que já vai longínquo quando este blog se dirigiu rumo ao Kinoshita e deu com a cara na porta. Como um restaurante tão bom cerra as portas assim do dia para a noite?
Algum tempo depois viemos a descobrir: o Kinoshita fechou, o Murakami tinha ido ao Japão e o restaurante reabriria na Vila Nova Conceição, onde seria exercida a culinária Kappo, a alta gastronomia japonesa.
Assim, não era pequena a ansiedade para conhecer o novo Kinoshita. As resenhas, na sua maioria favoráveis, o súbito epíteto de Melhor Japonês de São Paulo, um certo medo de que aquilo que o tornava único na Liberdade não conseguisse ser transposto para um lugar que, de certa maneira, é do Bairro Japonês o oposto. Sobriedade, ostentação. Tradição, modernidade. Passaria o Kinoshita incólume a essa transição?
Pois bem, havia chegado a hora, a ansiedade era grande e para lá rumou O Gourmet Incidental, acompanhado de dois fiéis amigos, grandes entusiastas da culinária japonesa.
O serviço é atenciosíssimo - por vezes até demais, como adiante explicaremos -, desde a hora da reserva, passando pela salva de "Irashaimases" até a despedida. Recebidos pela brigada, a reserva estava feita marcada para 21h, adiantamo-nos 15 minutos, então resolvemos conhecer o bar antes do banquete. O bar - assim como o restaurante, é muito bonito, imponente, e de lá saíram corretíssimos dry martinis e bloody marys.
Rumo a mesa, entoa Murakami: "E aí, prontos para se emocionarem?"
Estávamos. Escolhemos o menu de degustação composto por nove pratos (R$ 290,00). Há também opções de menu de degustação de sete ou cinco pratos, além, claro, do serviço a la carte.
Para começar, enquanto o saquê era escolhido, veio o couvert, beringela recheada de kobe beef, empanada em farinha japonesa. As fotos não estão adequadas, em breve este blog solucionará os problemas técnicos de fotografia, mas achamos melhor publicá-las com a resenha.


O Kinoshita conta com uma carta com mais ou menos quinze saquês, todos japoneses.

Primeiro prato, o Hamaguri, um marisco japonês, com manteiga trufada e ovas de salmão. Delicioso, com uma textura levemente mais firme do que o vôngole.

Segundo prato, uma taça, para ser bebida, com uma ostra fresca, ovas de salmão, ovas de ouriço do mar e uma gema de ovo de codorna crua. Sensacional, talvez o melhor prato da noite.
Terceiro prato, o Trio de Frutos do Mar ao Creme de Missô, vieira com a ova, polvo e camarão. O creme de missô é enriquecido com mascarpone e acompanhado de um pequeno de aspargo fresco. O prato não surpreendeu.

Quarto prato, atum selado com foie gras. Depois da leve decepção com o trio de frutos do mar, as expectativas voltaram a subir muito, graças a esse atum e ao ponto perfeito de cozimento do foie gras.

Outro aspecto interessante a ressaltar no Kinoshita é o extremo cuidado na apresentação dos pratos e a impressionante linha de montagem situada atrás do balcão. Uma brigada grande de cozinheiros desempenhando diversas funções e os pratos finalizados um a um, cuidadosamente.
Quinto prato, o camarão empanado em farinha japonesa acompanhado de um molho de maçã verde e de uma mostarda japonesa chamada Karashi. Muito bom.

Infelizmente, talvez motivados pela segunda garrafa de saquê, não obtivemos a foto do sexto serviço, os sashimis. Segundo nos informaram, há dois tipos de shoyu, feitos no próprio restaurante e orgânicos. Foram servidas fatias de atum (o normal, não o toro), salmão e robalo. Os peixes estavam fresquíssimos, o corte perfeito. Solicitamos a raiz forte fresca (não só a pasta verde, são inclusive vegetais diferentes), fomos prontamente atendidos.
Entretanto, tivemos aqui uma decepção. A ansiedade em provar as iguarias era alta, mas, de todos os sashimis diferenciados constantes do cardápio, no menu de degustação somente foram servidos os "ordinários" salmão, atum e robalo.
Sétimo prato, os sushis. Murakami vem à mesa nos explicar a qualidade do arroz, a delicadeza do sushi, e nos sugere sejam os sushis degustados com a mão, para que possamos molhar o peixe no shoyu sem que ele se quebre.
Realmente o arroz é um diferencial importante. Ele é leve, delicado, e forma um todo coeso com sua cobertura, como se uma coisa só fossem. Foram servidos sushis de atum, salmão, robalo, omelete com ovas de bacalhau apimentadas e viera. Apesar da não grande variedade, como no caso dos sashimis, estávam ótimos.

Por fim, o oitavo prato, o kobe beef, de gado wagyu 100% nacional, acompanhado de molho ponzu e nabo e pimenta ralados. Delicioso, a gordura entremeada na carne, que derretia na boca.

Por fim, as sobremesas. A primeira, um sorvete de chá verde acompanhado de um doce de arroz recheado com chocolate.
A segunda, da qual também não obtivemos foto, era uma lichia recheada com ganache de chocolate branco, acompanhada de um bolo de chocolate com castanhas-do-pará, feito sem farinha. As sobremesas foram corretas mas não surpreendentes.

Estava conhecido o Kinoshita. Durante o jantar o Murakami passou mais algumas vezes pela mesa, falou conosco com seu jeito que já foi incorporado à mítica do lugar. "E aí, estão gostando? Mudamos de roupa mas é a mesma merda!".
Pois bem, o lugar vale a visita, e certamente está entre os três melhores restaurantes japoneses de São Paulo, quiçá o primeiro na Kappo Cuisine. O jantar vale o preço? Talvez não, deixemos que cada um decida.
Pontos altos, o arroz do sushi, a taça com ovas, o atum selado com foie gras, a qualidade dos molhos de soja.
Pontos baixos? Sim, em todo lugar há de haver.
O primeiro deles, algumas vezes o serviço é atencioso além da conta, e um dos mâitres, o que nos apresentava os pratos, exagerava no "Senhores, agora vocês vão se emocionar!", emulando o chef, além de proferir diversos "meu deus" e onomatopéias como "zzzzzzzzzssssssssssss" e "huuuuuuuuuuuuum", o que às vezes é um pouco constrangedor. A culinária de Murakami é séria, cuidadosa e inventiva, fala por si só. Não necessita ser tão adjetivada.
Outro deles, o couvert é cobrado, mesmo sendo um menu de degustação de novo pratos. Seria melhor embutir no preço.
Por fim, logo no começo do serviço, antes de oferecer-se o cardápio, é oferecido um menu de degustação acompanhado da champagne Klugg, com preços em torno de R$ 600,00, meia garrafa, e R$ 1.000,00, a garrafa inteira. Alguns comensais mais endinherados - outros mais apressados - em ambos os casos sempre acompanhados de belas moças, acabam aceitando degustar os sushis com a champagne. Seria mais delicado oferecer primeiro o cardápio, depois os menus de degustação e por fim o menu de degustação acompanhado da champagne.
O Gourmet Incidental voltará ao Kinoshita em breve, para provar algumas iguarias do cardápio nem sempre fáceis de encontrar por aí mas que não saem da cabeça, como por exemplo o shishamo, o peixe ovado.
Esses pontos baixos não tiram os méritos do premiado restaurante, ao qual a visita é um evento único.


Kinoshita
Rua Jacques Félix, 405.
Vila Nova Conceição
Telefone (11) 3849-6940
http://www.restaurantekinoshita.com.br/